quinta-feira, 10 de setembro de 2015

Eu voltei




"Eu cheguei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo
Minhas malas coloquei no chão
Eu voltei

Tudo estava igual como era antes
Quase nada se modificou
Acho que só eu mesmo mudei
E voltei

Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei

Fui abrindo a porta devagar
Mas deixei a luz entrar primeiro
Todo o meu passado iluminei
E entrei

Meu retrato ainda na parede
Meio amarelado pelo tempo
Como a perguntar por onde andei
E eu falei

Onde andei não deu para ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei

Sem saber depois de tanto tempo
Se havia alguém à minha espera
Passos indecisos caminhei
E parei

Quando vi que dois braços abertos
Me abraçaram como antigamente
Tanto quis dizer e não falei
E chorei

Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei
Eu voltei agora pra ficar
Porque aqui, aqui é meu lugar
Eu voltei pras coisas que eu deixei
Eu voltei
Eu parei em frente ao portão
Meu cachorro me sorriu latindo"

( O Portão - Roberto Carlos)

Essa música fala por si só, traduz exatamente tudo que estou sentindo... Mas vamos lá...

É isso aí: eu voltei... Pras coisas que deixei, pra Ellen que deixei largada em algum canto há um tempo atrás... Onde andei não deu para ficar, pois para estar lá eu não podia existir, não podia ser Eu... Nos lugares em que passei só havia escuridão, era cego guiando cego e viva a lei do mais fraco... Sim, do mais fraco, pois ao admitir-se fraco sugava-se o mais forte, que por sua vez se tornava também fraco... Canibalismo emocional, inconsciente, consciente... Guerra de egos, de posses, de dores. E assim foi, até que alguém cedeu. O mais fraco? Não. O mais cansado... Cansado de sofrer em vão e nada mudar... As maiores transformações acontecem justamente quando a gente cansa. Nunca ignore o seu cansaço sobre determinada coisa, ele pode estar querendo lhe dizer algo... Ouça. Sinta. Respeite seu limite. Cada vez que você desrespeita seu limite ele se estica, feito elástico, e se torna um pouquinho maior. "Acho que posso aguentar um pouco mais", e assim vai... Só que como todo elástico, uma hora se arrebenta. E foi isso que aconteceu comigo: me arrebentei. Mas me arrebentei feio! E isso foi a melhor coisa que me aconteceu nos últimos anos. Não estou dizendo que para melhorar tem que sofrer. Isso é só para os trouxas. É totalmente possível aprender sem sofrimento, mas isso é só para aqueles que entenderam isso... E quem é que não é trouxa nessa sociedade em que vivemos? Poucos... 
Mas então, eu voltei... Voltei para ficar, pois aqui... Aqui é meu lugar. Aqui no blog? Pode ser... Mas principalmente aqui, dentro de mim. No protagonismo da minha vida. Eu nem sabia que dava para voltar. Não sabia mais quem eu era. Estava tão apegada à dor que já me confundia e muitas vezes pensava que eu era ela, que ela era eu... Então o apego se foi, a dor se foi... E agora??? Quem eu sou? Será que ainda sou alguém? Pra minha surpresa lá estava Eu, de braços abertos me esperando... Sim, Eu! Como foi bom encontrar com Eu de novo! Era a mesmo de anos atrás, mas diferente... Tinha o mesmo coração, mas por fora carregava em si as marcas do tempo. Mais que isso, as marcas do abandono... Mas mesmo assim, Eu sorria pra mim e dizia: "está tudo bem... agora que finalmente nos reencontramos vai ficar tudo bem". Eu via o mal que fiz à Eu, mas ela não me permitia sentir tristeza ou culpa... Ela dizia que essa marcas são para lembrar de tudo que aprendi até aqui e para não cometer os mesmos erros. Estava tão feliz de estarmos juntas novamente que de repente me dei conta de como Eu era bonita... De como era grande... Engraçado, nunca tinha reparado nisso antes... Ao me dar conta, olhei pra frente e vi infinitas possibilidades se abrindo...
Como é bom voltar para si. Como é bom se reconciliar consigo mesmo. Como é bom se amar!
Você pode ser o que quiser, desde que seja você...
Você pode amar quem quiser, pode até amar o mundo inteiro, desde que se ame primeiro... Pois só se dá o que se tem...
E hoje eu me tenho. Sinto amor. Amor de amar. Amor a mim. 
Onde Deus entra nisso tudo? Não o velhinho de barba branca... Lembra da Eu? Pois é...


"Na praia Jesus me carregou no colo. Só vi um par de pegados, não entendi o óbvio. Que o fardo não é maior do que eu possa carregar. Se a vida é um jogo então, vamo ganhar!" 
Criolo



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