segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Joga pedra na Geni, joga bosta na Geni...


Estava pensando em começar a postar vídeos de músicas críticas e inteligentes (as vezes, não tão conhecidas), que levassem o leitor (assim como a blogueira que aqui vos escreve) a refletir e, quem sabe, até rever seus conceitos. Para estrear coloco esse vídeo da música "Geni e o Zepelim", de Chico Buarque.
A letra fala de uma moça chamada Geni que é discriminada pelas pessoas de sua cidade pelo fato de "dar-se" a qualquer um. Não vou descrever a música toda aqui, até por que a intenção é que vocês ouçam, assistam o vídeo ou ao menos leiam a letra (http://letras.terra.com.br/chico-buarque/77259/), tirando suas próprias conclusões e comparando-as com a minha opinião.
Alguns dizem que a música é mais uma daquelas críticas disfarçadas à ditadura militar. Não duvido que seja, mas analisando a letra, vejo que é um retrato perfeito da sociedade hipócrita em que vivemos.
Eu fico pasma com o falso moralismo dos brasileiros. As pessoas tem tanta coisa importante para se preocupar, como a política que nunca vai bem, mas insistem em perder tempo julgando a vida dos outros.
Coincidentemente, enquanto pensava em postar esse vídeo e no que iria escrever, passei em frente a televisão e vi o caso da professora que foi demitida por ter dançado de forma vulgar em um show e o vídeo ter parado na internet. Além de perder o emprego, Jaqueline virou motivo de chacota pelos vizinhos, viu "amigos" lhe virarem as costas e tudo isso por ter bebido umas e outras e dançado, mostrando a bunda. Se isso tivesse acontecido no Vaticano, tudo bem, mas no Brasil? Mais especificamente em Salvador, Bahia?! Onde esses vizinhos e "amigos" estavam quando o É o Tcham fazia o maior sucesso com a "Dança da garrafa"? Isso para falar de coisas antigas... Por que não citar as atuais mulheres frutas que estão por aí?

Não estou criticando nem as mulheres frutas, nem as dançarinas do tcham. Acho que cada um tem que aproveitar o que tem para se sustentar. Se for inteligência, use a inteligência; se for beleza, use a beleza; se for talento, use o talento; se for tudo isso junto, use tudo! Sendo de maneira honesta, tudo bem. Não tenho absolutamente nada contra. Mas é tão engraçado que se uma cidadã comum resolve "liberar" um pouquinho ouve um coro de demagogos parecido com o da música:

"Joga pedra na Geni

Joga bosta na Geni

Ela é feita pra apanhar

Ela é boa de cuspir

Ela dá pra qualquer um

Maldita Geni"

O povo simplesmente adora julgar o caráter das pessoas. Como se a maneira como alguém se veste, dança, ama, trabalha ou se comporta sexualmente determinasse se ela é boa ou má. Se fosse assim nossos políticos, empresários e demais engravatados seriam as pessoas mais íntegras do mundo!

Não concordo, mas até entendo o ponto de vista do dono da escola que a demitiu. A pressão dos pais dos alunos, ainda mais por se tratar de ensino infantil, seria muito grande se ele não tivesse tomado essa providência. Apesar que ela não estava no ambiente de trabalho e poderia fazer o que bem entendesse. O corpo é dela, ela mostra pra quem quiser! É claro que ela poderia ter pensado nas consequências e dançado lá em baixo mesmo, sem subir no palco, mas se ela quis se expor, e daí? Não foi a primeira nem vai ser a última. Mas talvez seja uma das poucas que em vez de ganhar, perdeu com isso.

Ai ai... Até quando os homens vão continuar com essa hipocrisia onde tudo, absolutamente TUDO é permitido desde que seja mantido por debaixo dos panos e quem mostra a cara (nesse caso, a bunda), por coragem ou por descuido, leva "pedradas" e "cuspidas"?

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Menor Infrator


Imagine um pequeno município do interior de Minas Gerais com uns 20 mil habitantes. Agora imagine um distrito desse município que tem em média umas 10 mil pessoas. É aqui que eu moro. E foi aqui que a duas semanas arrombaram a porta da minha casa quando todos tínhamos saído e roubaram o notebook, dentre outras coisas. Assim que a polícia chegou já tinham um suspeito. Essa pessoa já havia roubado em várias outras casas. Mas então por que continuava solto? Porque ele é menor de idade.
A polícia foi atrás dele, mas logicamente ele negou tudo. Depois de quase uma semana vieram uns policiais de outra cidade e deram um "aperto" no garoto de 17 anos que acabou confessando o crime e contando onde os objetos roubados estavam escondidos. Por sorte ainda não tinham sido vendidos.
Sabe o que aconteceu com ele? Nada. Pelo menos por enquanto. Parece que ele vai ser encaminhado para o juizado de menores. Enquanto isso, continua solto pelas ruas e se quiser pode continuar roubando de pessoas honestas e trabalhadoras.
Sei que pelo que ele fez é bastante improvável que fique internado. Isso acontece geralmente com adolescentes que cometem crimes mais graves como homicídio. Ele pode ter a liberdade assistida (ficar em casa mas permanecer vigiado) ou prestar serviço a comunidade. Mas também pode levar apenas uma advertência do juiz. O problema é que provavelmente nada disso vai adiantar pois geralmente eles roubam para comprar drogas, e acredito que seja este o caso. Sendo assim, o melhor caminho seria mesmo a internação que nem de longe lembra os calabouços sujos e sombrios dos presídios. São unidades especiais, dotadas de todos os serviços psicossociais, as mais variadas e modernas formas de terapias, sejam elas com fins exclusivamente terapêutico ou de ocupação, recreação, educação religiosa. O objetivo não se afasta da ressocializacão, repelindo totalmente a punição, que não recupera.
Acredito que esses internatos deveriam também tratar do problema da dependência química e oferecer, além de recreação, profissionalização. Isso talvez resultasse na recuperação de um número maior de jovens.
É claro que não mudei de idéia sobre as causas da violência. Como postei certa vez falando da Campanha da Fraternidade, não se deve combater a violência apenas punindo pois não adianta. A injustiça social gera a violência. Mas é errado pensar que o ladrão está roubando apenas para matar sua fome. Existem outras questões que somadas à injustiça social agravam ainda mais o problema da violência.
Muitos jovens que são trabalhadores e estudam começam a se envolver com drogas. Aí o salário do emprego honesto já não é suficiente para alimentar o vício e ele começa a roubar para pagar as dívidas. Isso é tão sério que há tempos não é mais exclusividade das grandes cidades, já chegou nas pequenas também.
Outra questão é a ganância. Muitos querem ter acesso ao luxo sem se esforçar para conseguir. Querem andar com roupa de marca, ostentar celular da moda mas da maneira fácil: roubando. O pior é que geralmente não roubam de quem tem dinheiro sobrando e sim da classe média que quase morre de trabalhar para pagar suas prestações e impostos.
É claro que esse tema é demasiadamente profundo, mas tentei atravez desse texto fazer com que o leitor fique consciente da gravidade do problema.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Sociedade Viva Cazuza precisa de ajuda

A criança que chegou em 2008 em sua primeira Festa de Natal na Sociedade Viva Cazuza

Fiquei muito triste ao ficar sabendo que quase 20 anos depois da perda de Cazuza, a entidade que leva o seu nome está à beira da morte. A mãe do cantor e presidente da Sociedade Viva Cazuza, Lucinha Araújo, tentará como última cartada audiência com o presidente Lula. Emendas parlamentares garantiram até 2002 o funcionamento da ONG. Com o governo Lula, mudaram as regras, e os recursos passaram a demorar. Como a entidade oferece assistência médica, mas não é hospital, a burocracia virou entrave (como sempre, a burocracia!).

A Viva Cazuza, em Laranjeiras, tem como receita direitos autorais de suas músicas. Mas a fonte cobre menos de 10% das despesas, entre R$ 60 mil e R$ 70 mil mensais. Campanhas, shows e donativos tentam equilibrar as finanças. No entanto, têm sido insuficientes. O custo de manutenção de uma casa onde moram 22 crianças portadoras do HIV é muito elevado. São obrigados a manter quatro equipes de funcionários, uma vez que não fecham. Mas o resultado do trabalho é gratificante, hoje eles têm adolescentes já com 17 anos fazendo curso profissionalizante, é uma nova geração que está chegando disposta a lutar pelos seus direitos. A Sociedade oferece ainda projeto de acompanhamento de doentes associado à distribuição de cestas básicas.

“O problema é que a Aids saiu de moda, as pessoas acham que a Aids é uma doença que basta tomar um remedinho e tudo bem, mas infelizmente não é bem assim. Apesar da grande conquista da medicina que proporciona qualidade e quantidade de vida aos pacientes, a convivência com a Aids é um problema sério e se não voltarmos a falar nela todos os dias, com a preocupação com que a imprensa, os meios de comunicação e a sociedade civil dispensavam a ela nos anos 90 vamos ter um recrudescimento da epidemia. Essa falta de espaço e visibilidade faz com que as doações estejam cada dia mais escassas e é claro os direitos autorais de Cazuza também vêm diminuindo, afinal ele não está mais entre nós há 19 anos.” Palavras da própria Lucinha.

Se você quiser ajudar a Sociedade, eles recebem doações de remédios, alimentos, produtos de limpeza e higiene, roupas infantis, brinquedos etc., de segunda a sexta feira das 7 às 19 horas nesse endereço: Rua Pinheiro Machado, 39 - Laranjeiras
22231-090 Rio de Janeiro RJ
tel (55 21) 2551 5368 / fax (55 21) 2553 0444

Doações em espécie podem ser feitas também através de depósito para:
Sociedade Viva Cazuza
agência 0887-7
c/c 26901-8
(Quem já é cliente do Bradesco pode fazer uma transferência na página do banco na internet).

Se você mora no Rio também é possível ajudar indo aos eventos. Para saber a programação dos próximos shows entrem no site http://www.vivacazuza.org.br/sec_noticias.php?page=1&id=34

Os ingressos custam apenas R$ 5,00 e os próximos serão:

04/8 – Perla

11/8 – Cidade Negra

18/8 – Orquestra Tabajara

Vale lembrar que comprando CDs e DVDs do Cazuza (originais, é claro) você também estará ajudando a Sociedade Viva Cazuza.

"Quem tem um sonho não dança" Cazuza