sábado, 25 de junho de 2016

Vamos falar sobre relacionamentos abusivos. De novo? Sim, de novo.

Para uma relação ser abusiva não precisa ter agressão física.
Muitas vezes uma agressão psicológica faz mais estragos na vida de uma pessoa do que a física.
Mas para uma relação ser abusiva não precisa nem ter agressão. Ou pelo menos, não explícita.
Basta ter abuso.
E o que é abuso?
Abuso é se aproveitar de uma posição de poder e/ou destaque para seduzir pessoas das quais você não deveria nem se envolver emocional e sexualmente, por uma questão de ética profissional?
Sim, isso é abuso.
Mas e se a "suposta" abusada demonstra afeto e/ou atração primeiro, isso ainda é abuso?
Vamos ver as opções: perante a lei essa pessoa já é considerada responsável pelos seus atos? Ou seja, é maior de idade?
Sabemos que não é apenas uma questão de lei, afinal o ser humano é tão subjetivo, não é mesmo? Vamos ver...
Falei de ética profissional pois no caso a "suposta" abusada era cliente do "suposto" abusador. Ela poderia ser sua aluna, sua paciente, sua passageira, não importa... O que importa é que os pais dela pagavam uma instituição em que confiavam e essa instituição pagava o salário do tal sujeito para exercer sua função.
Um profissional que utilizava sua imagem de ético, honesto, o cara pobre que venceu na vida com muito esforço (etc) para fazer propaganda de si mesmo, o tempo todo. O típico herói sofrido brasileiro... 
E foi justamente por essa imagem que a menina se encantou. Mal sabia ela que não passava de um personagem, uma máscara fajuta...
Quem era ela? Uma menina inexperiente, virgem, que nunca tinha tido um relacionamento de verdade... Uma menina sonhadora, romântica, que se apaixonava platonicamente desde sempre e sonhava com um príncipe encantado. Era também bastante tímida e solitária pois nunca se encaixava direito em lugar nenhum e tinha dificuldades para fazer amigos. Era bem insegura, apesar de inteligente, escrevia bem mas falava pouco, era inconformada com o mundo e bem deprimida...
E quem ele era, realmente? Um cara sem escrúpulos, que se aproveitava da confiança e empatia de seus clientes (quase todos menores de idade) para dar um de amigo, desses que beijam e abraçam as amigas (até demais)... Ele já tinha esse histórico de outros lugares em que havia trabalhado, mas sua auto-propaganda tentava abafar esses "boatos". Ele era forçado e exagerado em tudo que fazia. Isso era nítido pra todos, menos é claro para a menina que se sentia solitária e que idealizava amores platônicos. Apesar da péssima interpretação do ator, ela acreditou que ele realmente era o herói que fingia ser.
Ele, que não era bobo nem nada, percebeu logo a admiração da garota e a encorajava ainda mais. Sabendo de sua insegurança e timidez, a elogiava o tempo todo, fazia questão de dizer sempre para ela e também na frente de todos que ela era a melhor, sua preferida. Era um flerte quase escancarado, mas ele o fazia com os requintes necessários para que ninguém conseguisse decifrar totalmente a mensagem. Ficava no máximo uma dúvida no ar: será? Enquanto isso ele a fazia acreditar que era especial. Finalmente alguém tinha percebido o quanto ela era inteligente e interessante.
A amizade dos dois ultrapassou os muros da instituição, foi para as redes sociais. Ele lia os textos dela e comentava, falava dela (elogiando, logicamente) em textos dele, conversavam pelas redes sociais...
Em uma dessas conversas "virtuais", a menina que já tinha quase certeza das intenções do sujeito, com o coração na mão de tanto nervosismo, tomou coragem e resolveu investir. Afinal não aguentava mais aquela dúvida cruel: "será que ele me quer, realmente gosta de mim, ou estou confundindo as coisas?". Ela precisava saber. 
Vocês acham que ele esclareceu as coisas e disse que aquilo era errado e não poderia acontecer? É claro que não. Era justamente isso que ele estava não apenas esperando, mas provocando para que acontecesse a tempos! Chegando nela ele correria o risco de levar um fora e ainda de o assunto vazar, manchando sua reputação de homem bom. Ele deixou que a ovelha fosse "de livre e espontânea vontade" ao próprio matadouro, alimentando nela esperanças, interpretando um personagem... Assim, na pior das hipóteses, mesmo que desmascarado teria o argumento perfeito: "foi ela que quis".
E assim foi. Diante da quase declaração da menina ele marcou um encontro com ela fora da instituição. Queria leva-la direto a um motel, mas diante do susto da menina virgem a levou em um local público, porém escuro e discreto. Ali mesmo ele começou seus joguinhos psicológicos, chegando a fingir que não chegaria as vias de fato, interpretando um falso moralista. Mas isso só durou uns instantes.  Provavelmente pensou que ela iria implorar por um beijo dele e assim ele se sentiria ainda mais fodão. Mas isso não aconteceu. Por um instante a menina pensou que realmente ele a tinha levado ali só para conversarem e chegar a conclusão de que aquilo era errado e não deveria acontecer. Por um instante ela se sentiu envergonhada de querer aquilo. Mas foi um instante só, porque no seguinte ele a surpreendeu com um beijo. De repente o discurso mudou e a desculpa era muito convincente (ao menos para ela): ele também estava apaixonado e não podia resistir.
Ah, já ia me esquecendo de um pequeno detalhe: ele era casado.
Para justificar a traição à esposa (que publicamente ele tanto elogiava), ele inventou para a menina uma história mirabolante onde a esposa (que ele falava para todos ser tão amada e perfeita) era na verdade uma traidora. Sim, ele traia mas a errada era a esposa! Ele era o bonzinho que havia perdoado uma traição suja e desleal da mulher, e agora, nada mais justo que ele viver essa história de amor, afinal de contas estava no seu direito... 
A menina tinha esperança de que ele largasse a esposa traidora e ficasse com ela, mas ele dizia que era muito difícil para ele fazer isso porque amava as duas. Além disso, ela dependia financeiramente dele então ele tinha dó de deixá-la. Então a menina tinha que se conformar com migalhas... Passava a semana inteira esperando o dia em que pudessem se ver. Esses encontros, que não passavam de minutos, as vezes poucas horas, na maioria das vezes se resumiam a sexo. A menina lhe servia de prostituta gratuita, nada mais, mas na cabeça dela aquilo era amor. Pois ele falava incansavelmente que era.
Falando em sexo, a menina que até então era virgem, logo no segundo encontro entrou pela primeira vez em um motel. Afinal, ele não podia se dar ao luxo de ficar se encontrando com ela em locais públicos... Ele usou de sua esperteza e experiência para convencê-la de fazer coisas que normalmente ela não faria, sem precisar forçá-la. Como por exemplo, dizer que era "muito comum" as meninas da idade dela fazerem sexo anal, pois assim não perdiam a virgindade oficialmente. Ela nunca tinha ouvido falar disso, mas como ele disse que era normal, ela acreditou. Ela ainda achava que ele fazia isso por se preocupar com ela ainda não estar pronta para transar (como se aquilo não fosse transar). Pobre iludida menina, não percebia que ele apenas estava ganhando tempo, esperando que ela fizesse 18 anos para que assim ele não pudesse ser responsabilizado criminalmente de ter tirado sua virgindade, caso seus pais descobrissem e o denunciassem. Não satisfeito, ele criou a brincadeira de "só a cabecinha", para que ele a penetrasse na vagina mas não muito. O motivo vocês já sabem... Só que numa dessas, faltando meses ainda para o aniversário da menina ele não resistiu e foi até o fim. A essa altura a sensação de impunidade já havia crescido e ele se permitiu se dar esse luxo, afinal de contas já havia a dominado emocionalmente, tendo certeza que ela nunca o denunciaria.
E ele estava certo, a menina faria de tudo para manter aquilo em segredo. Tanto que passou a se afastar de seus colegas, também clientes do sujeito. À essa altura todos já desconfiavam, mas sendo ela uma menina fechada, não dava intimidade para ninguém tirar a dúvida. Das poucas pessoas que teriam intimidade para isso, ela simplesmente se afastou. 
A vida dela se transformou em um mundinho fechado onde só existiam os dois. Logo ele era seu único amigo, única companhia, único conselheiro, única distração, único tudo... Ela não tinha amigos, não tinha perspectivas, não tinha alegrias e prazeres saudáveis, só tinha migalhas de atenção daquele tarado, que fingia ama-la.
A menina sofria pois era obcecada por ele e tinha ciúmes da esposa. Criou verdadeiro ódio dela, pois na sua cabeça ela era a única coisa que impedia que os dois fossem felizes. É isso que os agressores fazem, colocam vítima contra vítima, e ele sempre sai como bonzinho... Mesmo sofrendo a menina não saía daquilo pois acreditava que o amava mais que tudo e também pois achava que ela não merecia coisa melhor... Como ele sabia que nunca ia largar a esposa por ela, para ninguém dizer que ele era injusto, começou a incentivar que a menina conhecesse outras pessoas.
A maneira como ele a tratava a fez acreditar que aquilo era amor: alguns minutos de sexo semanais. Então, dado o incentivo, ela começou a transar com outros caras. Com qualquer um. Ela sentia que como não era mais virgem não tinha mais valor, então tanto fazia transar com um ou com todo mundo... E inconscientemente ela acreditava que se fosse boa de cama e fizesse tudo que um cara quisesse ele iria amá-la. Ela não era uma tarada, ninfomaníaca, nada disso. Era só uma menina querendo desesperadamente, implorando amor. E ela foi ensinada pelo seu professor que amor se conquistava com sexo. Ela queria ser amada por alguém que não fosse casado e pudesse substituir aquele "amor" que a fazia sofrer tanto, que a deixava tão sozinha em 99% do tempo... Ela queria desesperadamente sair daquela situação, mas sozinha não conseguia, não tinha coragem, não tinha força...
Ele ouvia seus relatos de sexo casual com atenção e excitação. Ela não queria falar daquilo, mas ele insistia, pois lhe dava tesão. Ele dizia que tinha ciúmes, mas não era isso que demonstrava. A menina se degradava a olhos vistos e ele se divertia à suas custas, em todos os sentidos... A menina sofria, muitas vezes chorava nos braços dele, mas nada mudava... Ele não largava a mulher, nem tampouco cogitava romper com a menina... Aquela situação já se estendia por mais de dois anos...
Até que um dia a menina conheceu alguém. O cara se aproximou dela pelo que ela escrevia e por semelhanças ideológicas. Trocaram ideia pela internet um tempo, até que um dia se conheceram. A menina se apaixonou. Ele era mais novo que o sujeito, era solteiro e demonstrou gostar dela. Não parecia ser como os outros que só se aproveitavam e logo pulavam fora. Ele gostava de conversar com ela sobre política, música, e era carinhoso. A menina viu que aquela era a chance de sair daquela relação de sofrimento e solidão e começar uma nova, cheia de esperanças de dar certo... Então ela tomou coragem e terminou com o sujeito lá. Ela não o fez por maturidade ou empoderamento, fez por estar mais uma vez se iludindo e achando que aquele seria seu príncipe encantado. Mas pelo menos ela o fez. Saiu daquela prisão em que se encontrava.
Vocês acham que o sujeito se conformou e desejou que ela fosse feliz? Foi maduro e consciente o suficiente pra deixar ela em paz? Claro que não... Ele a perseguia nas redes sociais, mandava e-mail dizendo que estava com saudades, as vezes ligava tocando a "música dos dois". Anos depois, quando ela já estava em outra relação (também abusiva, afinal o que ela aprendeu como "amor" era uma ideia bem distorcida, sua auto estima ainda era um lixo e ela ainda achava que devia se submeter à todas as vontades dos outros pra ser amada), ele ainda telefonava pra ela de vez em quando, mesmo sabendo que aquilo poderia causar um problema na relação dela. E causava, pois seu namorado da época tinha ciúmes doentios e qualquer coisa era motivo para causar uma briga cheia de acusações e humilhações verbais...
Vocês percebem o quanto esse cara prejudicou a vida dessa menina? O quanto seu "amor proibido" causou e aumentou problemas emocionais e psicológicos nela? Entendem que auto estima e amor próprio dela praticamente não existiam, por isso ela se submeteu a uma série de relacionamentos abusivos? Que ser "a outra" aos 17 anos foi um fantasma cheio de culpas que ela carregou por muitos anos? Que depois que ela percebeu o quanto foi trouxa sentiu nojo e raiva de sim mesma por muito tempo? O quanto vocês acham que foi difícil pra ela se perdoar? O quanto demorou para ela aprender a se amar? O quanto isso lhe custou? Quantos anos desperdiçados sofrendo nas mãos de abusadores? Quanto tempo ela ficou presa nessa gaiola emocional? O quanto ela se desgastou, se arriscou, sofreu e se humilhou? Quantas vezes ela quis morrer, só pra se livrar da dor de estar viva?

Então, será que podemos chamar o "sujeito" de abusador? Acho que sim, né?

Pois é, o abusador, que hoje se tornou político (afinal, sua fama de homem honesto é quase impecável) veio esses dias falar com a ex-menina (pois hoje ela é uma mulher que à duras penas superou tudo que passou) que não entende por que ela nunca mais quis falar com ele. Não entende por que ela o odeia, afinal de contas ele nunca a fez mal algum... Ele a exigiu uma explicação. Ela simplesmente lhe disse que não lhe deve explicação nenhuma e deixou claro que dele só quer distância. Mas a menina anda pensando... Quem sabe não seja a hora de acabar com o silêncio? Afinal, foi ele mesmo que quis mexer nesse passado. Talvez seja a hora de desmascará-lo perante a sociedade, seus eleitos, seus clientes, os pais de seus clientes e até de sua esposa... As eleições vem aí... Talvez seja a hora de todos saberem o quão podre ele é... Talvez...

quinta-feira, 2 de junho de 2016

É tanta inspiração que falta inspiração rs

Nesses 4 meses sem postar aconteceu tanta coisa na política nacional que eu fico assim, é tanto assunto, tanta coisa sobre as quais eu poderia escrever que acabei não escrevendo nada rs... Fazia tempo que eu não postava sobre isso, estava falando mais sobre sentimentos, feminismo e empoderamento... Então de repente acontece toda essa reviravolta e eu simplesmente sumo de novo rs... Vou explicar: na verdade minha ausência virtual se justifica por minha presença real nas lutas... Sim, eu estava participando dos atos contra o impeachment . Estava não, estou. É, voltei a ativa... 
Bem, e o que dizer a respeito disso tudo? Acho que RETROCESSO define e resume tudo. Retrocesso total, em todas as áreas, para todos os movimentos, em todas as pautas de todas as lutas. Esse golpe só beneficia os corruptos, os grandes empresários, os muito ricos, os imperialistas... Todo o povo, toda a classe trabalhadora, os jovens, estudantes, todas as minorias, todos os oprimidos, todos todos todos sem exceção serão ou já estão sendo prejudicados...
O golpe é machista, racista, homofóbico, moralista, violento e odeia pobre. Quer que tudo obedeça a "ordem"... Ordem deles, lógico... Eles nunca engoliram essa história de filho de pedreiro virar doutor... Lugar de pobre é na favela, na cadeia, morto ou servindo a eles, se alimentando de suas migalhas e sendo muito bem agradecido por isso ainda... Mulher empoderada, não pode! Mulher tem que ser submissa, não serve pra governar, tem que ser do lar, tem que ser recatada, e ainda tem que ser bela pra agradar o marido (não ter marido também não pode). Ser gay? De jeito nenhum! É pecado! Mas roubar pode, isso parece que tiraram da bíblia de uns tempos pra cá...
Aliás, o que aconteceu com as pessoas??? Sempre soube que vivia em uma geração careta (sempre quis ter vivido nos anos 80...), mas tá cada vez pior! Essa bancada BBB (boi, bala e bíblia) tá causando um retrocesso geral, não só nas leis mas na consciência da população de modo geral. Gente defendendo volta da ditadura, gente homenageando torturador, gente pregando o ódio e a intolerância das mais variadas formas, gente culpabilizando vítimas de estupro,  pobre defendendo a direita, beneficiários de Ciências sem Fronteiras criticando o Bolsa Família, gente admirando um cara super escroto que já deveria estar preso por suas declarações racistas, homofóbicas, incitando à violência, estupro e tudo o que há de pior...
Para onde vamos desse jeito? Uma maioria bestializada pela mídia, sem censo crítico, sem critérios, sem noção... Uma maioria com memória de Dory (aquela peixinha azul de Procurando Nemo), que reproduz sem pensar que a culpa de tudo é do PT, os criadores da corrupção no Brasil... Não percebem que estão sendo massa de manobra, que só soubemos das corrupções de uns anos pra cá pois foi quando começaram a investigar e divulgar, porque antes os conchavos eram tão bem feitos que ninguém ficava sabendo. Com um governo de esquerda no poder os podres começaram a aparecer, e a mídia usou isso para atribuir a culpa à apenas um partido. Mas os podres que apareceram estão principalmente entre os partidos da direita. O governo golpista está cheio de réus, já a presidenta afastada não é réu de coisa nenhum...
O problema pior é que não tiraram só a Dilma, tiraram uma pessoa honesta pra por um ladrão. Tiraram alguém eleita pelo povo para por um golpista. Tiraram uma mulher, ex guerrilheira para por um homem branco, rico e corrupto. Tiraram a esquerda para por a direita. Tiraram e estão tirando do pobre para dar pros ricos. Tirando do trabalhador para dar pros grandes empresários. Tirando os nossos direitos, nossa previdência, nossa Minha Casa Minha Vida, nossos bancos, nossa Petrobrás, nossa educação pública, nosso SUS... 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Meu coração está em paz

Primeiro eu encontrei o amor próprio. Foi difícil, pois tive que desconstruir várias "certezas" dentro de mim. A "certeza" de que era impossível ser feliz sozinha, que eu precisava de alguém para me fazer feliz... A duras penas aprendi que tá tudo errado. Dá pra ser feliz sozinha sim , e só é possível ser feliz com alguém se ambos forem felizes sozinhos. Ao contrário de um culpabilizar o outro de sua infelicidade, que tal cada um cuidar da própria vida e se unirem só para compartilhar sentimentos e emoções? Acho que é uma ideia melhor... :)
Mas aí encontrei o amor próprio e encontrei também um amor de alma. O que seria um amor de alma? É uma definição que eu mesma inventei para falar sobre algo que não tem definição, algo que vivi e vivo. Eu encontrava com essa pessoa em sonhos, mas não era qualquer sonho. Eram sempre muito realistas, coisa que eu raramente tive na vida (é muito difícil eu me lembrar do que sonho). Quando eu estava com a pessoa era como se estivesse com alguém que já conhecia a muito tempo (tanto nos sonhos quanto de verdade). Ficava muito feliz mas era muito natural. O abraço era simplesmente o melhor do mundo. Não tem como explicar, é como se não fosse apenas um abraço, como se naqueles segundos estivéssemos vivendo uma realidade paralela, outra dimensão, sei lá. 
Embora estar com ele seja tão bom, não é algo que acontece com frequência. Mas percebi que mesmo longe existe uma conexão. Muitas vezes penso nele e ele aparece de alguma forma  (fica online ou posta alguma coisa, por exemplo). Em outras,é apenas uma conexão mental mas muito intensa. Vibro amor e mando e inexplicavelmente eu SEI (não sei como) que ele sentiu lá, esteja onde estiver.
É claro que já pensei estar louca , mas ao olhar nos olhos dele tudo se confirma. É como se ele dissesse (sem pronunciar uma palavra) "eu te entendo , também sinto isso". Nos comunicamos muito com o olhar. Pelo olhar ele me acalma e afasta todas as minhas dúvidas de que o que sinto seja real. 
Essa dúvida aliás, é tudo coisa do ego. Eu nunca senti nada mais real e intenso na minha vida. Nunca senti um amor tão puro. Não sinto vontade de prendê-lo a mim, pois tal como um passarinho que ao ficar numa gaiola perde o viço, ele foi feito para ser livre, e eu também. Fico feliz em vê-lo feliz, independente se essa felicidade tem algo a ver comigo ou não. Mesmo se alguma atitude dele não é exatamente o que eu gostaria, eu entendo o lado dele. Não é que eu finjo entender, não... realmente o entendo, apesar de ser diferente de mim. 
Não vou mentir, as vezes quero algo mais palpável, um beijo, um abraço... mas estou aprendendo a valorizar os momentos que tive e ser grata por cada um deles. A saudade as vezes bate, mas aí sinto a conexão e sinto que ela será eterna. 
Não estou fechada a outras oportunidades, outras pessoas. Até porque temos necessidades físicas e biológicas, que são tão naturais e saudáveis como comer e beber água. Não me privo de nada. Mas isso não tem que ter nada a ver com o amor. Pode ter e pode também não ter. Sexo é sexo. Amor é outra coisa. 
O importante é que eu amo. Simplesmente amo. Não exijo nada em troca , pois esse amor me preenche e transborda. Ele me faz bem. E quanto menos se espera dele, mais ele nos surpreende e nos faz bem. saudade é ego, pois não existe limite para o amor. Estamos ligados através dele sempre, mesmo a quilômetros e quilômetros de distância. Não muda nada.
E assim, eu gostaria de te dizer (pois de alguma forma sei que isso vai chegar até você) que entendo e respeito suas decisões, mesmo as que não concordo. Te entendo como se você fosse eu. Apesar de não sermos iguais, você faz parte de mim. Amo você, sua liberdade, suas virtudes... Respeito seus medos, suas travas, suas angústias. Estaremos sempre juntos. 

domingo, 27 de dezembro de 2015

Amores líquidos sim! E daí? (Eu sou amor da cabeça aos pés!)



A geração da minha mãe e anteriores foram gerações de mulheres que casavam. Algumas estudavam, algumas trabalhavam (e trabalham), mas invariavelmente casavam. Muitas vezes com o primeiro e único namorado ("moça de família" não podia passar muito disso). Era a principal perspectiva na vida da mulher. Minha geração cresceu em meio a mundos cor de rosa, brincando de casinha e acreditando que esse também seria nosso destino, afinal, esse era o "final feliz" de toda princesa... Eu cresci acreditando nisso. Fui moleca, brinquei muito de bola, de pique, subia em árvore, assistia desenhos de luta... Mas mesmo assim acreditava em "príncipe encantado". Brincava de namoro e casamento com Barbie e Ken (tinham cama de casal e tudo). Sonhava em ter um namorado desde o pré-escolar. Aliás, sempre tive paixões platônicas, desde que me entendo por gente. O primeiro foi o primo de uma amiguinha. Depois o menino mais bonitinho da escola. Não consegui dançar com ele na quadrilha. Meu par foi o Jow, logicamente se tornou meu terceiro "namorado" (na minha cabeça), apesar de achar que esse até que foi correspondido... rs. Depois aprendi a escrever e vieram os diários. Altas declarações de amor... Fui daquelas que escrevia carta anônima e tudo. Também recebi várias cartas, mas nunca gostava de quem gostava de mim. E os meninos de quem eu gostava ou não gostavam de mim, ou nem percebiam que eu gostava deles... Veio a adolescência e as coisas começaram a deixar de existir apenas no plano das ideias. Paixões, emoções, ilusões, desilusões, descobertas, alegrias, decepções... de carne, osso e sentimentos. Enfim adulta, mas apesar da idade, aquele sonho cor de rosa do "felizes para sempre" me perseguia. Eu via todo mundo namorando e eu só ficava, nada ia para frente. Acreditava piamente que era "impossível ser feliz sozinho" e me achava a mais miserável das criaturas por não ter um namorado. Meu sonho era postar foto de casal no orkut, receber declarações românticas no aniversário de namoro, essa palhaçada toda kkkkk...Fui ter meu primeiro namorado depois dos 20. Foi uma relação bem complexa. Mas foi através dela que me libertei daquele paradigma limitado. Em 2015 completei 24 anos e terminei dois relacionamentos.

A questão é: percebi que casar e ter filhos é uma opção, um estilo de vida, mas que existem muitos outros. E que nem todos se encaixam nesse modelo. Apesar da sociedade nos vender esse "pacotão" como receita da felicidade, basta olhar em volta para ver que é propaganda enganosa. Tem gente casada feliz? Tem. Mas também tem solteira, tem gente que casa e mora em casas diferentes, tem quem só namora, tem gente que troca de namorado com frequência, tem gente que pega o amigo, etc... E eu, que pensava me encaixar no primeiro grupo, fui perceber que esse equívoco era falta de auto conhecimento...

Tive relacionamento longo, médio e curto, e também tive oportunidade de ficar sozinha (depois dos 24 anos, pela primeira vez realmente sozinha, sem nenhum amor platônico inclusive).  Pela primeira vez na vida não desejo estar num relacionamento sério. Não estou solteira por falta de opção, não estou sofrendo, não penso em casar. Realmente estou bem assim. Sei que para quem só é feliz estando em um relacionamento (ou ainda não se libertou do "pacotão") é difícil assimilar a ideia, mas é verdade. 

Essa introdução toda foi para falar de amores líquidos. Já li alguns textos a respeito e em todos o tema era tratado como um problema. Um tipo de decadência nos relacionamentos entre as pessoas. Quase uma doença dos tempos modernos. Meu, pra mim eles são a solução!

Não quero me tornar uma ermitã. Gosto de me relacionar com as pessoas, o que não gosto é do peso do compromisso. Não quero ser cobrada, podada, ter que me preocupar em agradar alguém, em ser a "moça pra casar" e principalmente, não gosto de ser tratada como posse de alguém. Aí vem as pessoas "do bem" (mães, vós, amigas caretas, etc...) e falam: "mas existem caras legais, você ainda vai encontrar um dia e blá blá blá". Já falei sobre isso no texto anterior. Existem mas são exceções. E mesmo que eu os encontre um dia, não é só isso, tem outras coisas que pesam também...
  • Em um relacionamento ambos tem que ceder. Geralmente a mulher cede mais, mas vamos supor que o cara seja "O" cara (e não um machista de merda) e ceda tanto quanto a mulher. Ainda assim terei que ceder meus 50%; 
  • A opinião do outro conta e você não será 100% livre. Por mais liberal que seja, alguma satisfação sempre será de praxe. 
  • Em algum momento cai na rotina, esfria. Por mais que tenha amor e tal, depois de um tempo nunca é igual a primeira semana, onde tudo era "perfeito" sem esforço algum para "manter a chama"...
  • Muitas vezes o seu desejo diminui muito (por N motivos) e o do cara não. Aí começam as cobranças para você "comparecer". Porque se "não der conta", já viu: "vai procurar na rua o que não tem em casa"... aff...¬¬
  • Falando em cobranças... são muitas! 
  • Muitas vezes o outro não entende sua vontade/necessidade de ficar sozinha.
  • etc...
Todas as pessoas que vejo defendendo o casamento e criticando os amores líquidos falam que é preciso ter muita paciência para se manter em uma relação. Que conviver a dois não é fácil. Que é preciso abrir mão de muita coisa. Será que eles já se perguntaram se todo mundo está disposto a isso? Se é algo tão difícil, será que realmente é para todos? Será que não posso querer algo mais fácil e prático? Por que a felicidade tem que seguir o mesmo modelo para todo mundo?

Eu não quero ceder nada, quero continuar sendo quem sou 100% do tempo e fazendo só o que realmente tenho vontade. Gosto das coisas do meu jeito, no meu tempo. Não gosto de cobranças, amo minha liberdade. Adoro ficar sozinha, falar sozinha, sair sozinha... Não sou uma boa companhia o tempo todo. Enjoo das pessoas. Gosto de variar. Gosto de poder ficar com alguém hoje e amanhã talvez não estar mais. Gosto de ficar com alguém quando e se tiver vontade. Gosto de poder escolher. As vezes tenho muita vontade, as vezes não tenho nenhuma. Gosto de respeitar isso. Gosto de dormir sozinha e espalhada na cama (essa história de conchinha é ilusão, pelo menos pra mim nunca funcionou). Muitas vezes tenho preguiça das pessoas ¬¬

Mas, por outro lado as paixões não me deixaram por completo. Sim, ainda tenho sentimentos, desejos, etc. Então,quer melhor forma de me satisfazer do que com amores líquidos? Não importa se duram um dia, uma semana, um mês ou mais... O importante é que dure o tempo que for bom para os dois. É uma forma de se ter praticamente só a parte boa das relações, sem apegos, sofrimentos... 


"A sua história eu não sei, mas me conte só o que for bom" Amor puro - Djavan


Qual o problema das relações não durarem a vida toda? Acho que se acaba é porque hoje as pessoas (principalmente as mulheres) tem opção. Não tá bom? Termina. Tá sendo agredida? Pula fora (e denuncia). Não ama mais? Separa. Quer dar pra outro? Dá. Quer experimentar? Experimenta. Se descobriu homossexual? Se assume. Quer pegar geral? Pega. Quer namorar? Namora. 

As coisas não tem que durar. Elas duram se for para durar, se essa for a vontade de ambas as partes. Ultimamente tenho preferido as que não duram. Tem se encaixado melhor ao meu jeito de ser.
Fazer o que? 

"Eu sou amor, da cabeça aos pés"




Amo, amo AMOOOO esse mini doc:



<3

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

#meuamigosecreto




"Sentadas na mesa de um bar em São Paulo, Djamila Ribeiro vira para mim e outras mulheres negras e diz ''Nessa discussão sobre a solidão que certas mulheres sofrem, chegou o momento de pararmos de nos pautar enquanto preteridas e de começarmos a nos colocar enquanto mulheres que não irão se sujeitar a certas situações nos relacionamentos''.
Essa afirmação tem estado na minha cabeça desde então, porque, sem eu ter percebido, esse fator <sempre> foi determinante em minhas relações ou nas relações que tentei construir.
Nas vezes dei block em rapazes no Tinder, nas inúmeras vezes que recusei rapazes que queriam que eu matasse suas curiosidades, quando acabei meu último namoro por um ciúmes excessivo e por uma chantagem emocional constante, quando aviso que não gosto de me sentir cobrada e/ou ceifada da minha liberdade.
Um novo olhar sobre a solidão que eu vivencio e que outras mulheres também vivenciam está posta:
Sozinhas porque eles muito bem sabem que não iremos nos submeter a ser submissas, a ser violentadas em um relacionamento abusivo e de não termos voz.
Eles possuem medo. Medo da possibilidade de se ver de frente a uma mulher empoderada, dona de si, dona de suas narrativas e que exclui qualquer possibilidade de estar com um homem que reproduza suas "machulências", como dizem minhas amigas mais intimas.
No fim, mainha continua coerente ao me dizer que "Antes só que mal acompanhada"."



A uns meses atrás me deparei com um assunto que até então era novo para mim: a solidão da mulher negra. Eu nunca tinha parado para pensar, mas quando li percebi que faz todo sentido. Quem se interessar vale a pena dar uma pesquisada pois o tema é bem pertinente.

Mas só a alguns dias, quando li o texto acima, foi que me dei conta... sabe quando você sempre soube algo, mas aquilo tava ali meio escondido de você mesmo e de repente, pimba! Cai na sua cabeça. Foi como a Maria disse: "sem eu ter percebido, esse fator <sempre> foi determinante em minhas relações ou nas relações que tentei construir."

Não sou negra. Por mais que eu me identifique com todos os tipos de causas que envolvem pessoas sendo injustiçadas, descriminadas, etc... Nunca irei sentir na pele (pelo menos não nessa vida) o que uma mulher negra sente e passa todos os dias. Acho que ninguém melhor do que quem vive para falar do tema. Eu só leio e aplaudo. Mas sou mulher e vou falar do que eu sei, vivo...

A questão é que a mulher ainda tem muito pelo que lutar na sociedade... Se antes o objetivo era muito claro, pois não tínhamos direito a nada, hoje é tudo muito mais subjetivo e disfarçado. Por exemplo, eu ouço falar de relacionamentos abusivos. Já li textos interessantes sobre o tema, explicando o que é e tal. Mas as pessoas falam como se eles fossem exceção. E o que eu vejo é que exceção mesmo é quando um relacionamento não é abusivo!

As pessoas acham que abusos são apenas os casos extremos de agressão física. Mesmo esses ainda são muito ignorados e aceitos na sociedade. A vítima se torna culpada e o agressor vítima. "Apanhou do marido, algo deve ter feito, aquela vagabunda!" ou "Não adianta chamar a polícia, daqui a pouco tá junto de novo, gosta de apanhar". E o mais triste é que a gente ouve isso da boca das próprias mulheres! 

Se pra violência física é assim, aí você entende porque a violência psicológica nem é citada, ou é tradada como exceção ou algo menos sério...

Nada me tira da cabeça que quase todos os relacionamentos são abusivos, em menor ou maior gral, salvo exceções. E isso acontece porque ninguém se atenta para isso, não se fala sobre, não é visto como um problema real. 

As mulheres são criadas cada vez mais para serem independentes. Eu mesma cresci ouvindo da minha vó (que é dona de casa, sem estudos e sem profissão) e da minha mãe (que é professora mas só estudou porque correu atrás por conta própria) para eu estudar, ter uma profissão, trabalhar para não precisar depender de homem financeiramente. Isso é ótimo. O problema são os homens.

Mesmo depois de todas as conquistas das mulheres os homens ainda tem aquela visão de que somos propriedades deles. Basta estar num relacionamento que já começa: "não aceito que você tenha contato com ex"; "isso não é jeito de mulher falar"; "essa roupa tá curta"; "eu não quero ir e você também não vai". Chantagens emocionais de todos os tipos: "esse passeio com suas amigas é mais importante que nosso amor?"; "se você for estará solteira"; "num relacionamento as pessoas tem que ceder"... Nesse caso, só a mulher é que tem que ceder sempre... 

E assim vai, quando você se dá conta, alguém que você conheceu "ontem" está ditando o que você pode ou não fazer da sua vida. Quando cai a ficha você está lá fazendo coisas que nem curte tanto (ou nem curte nada) só para agradar alguém e deixando de fazer tudo que realmente gosta. Pior: você percebe que está tentando se tornar alguém que não é para se moldar às expectativas que o outro criou de você que quase sempre são de moça boazinha, educada, fina, paciente, compreensiva, amorosa, submissa, sem vontade própria, 100% disponível para fazer o que ele quiser na hora que quiser com você. Ah, mas para não dizer que os machos não tem uma dose de modernidade, hoje em dia eles aceitam dividir a conta numa boa rsrs...

Nesse dia que li esse texto compreendi e aceitei minha solidão. Não adianta me colocar no papel de coitadismo do tipo: "ninguém me quer do jeito que eu sou". É verdade. Para receber carinho e "amor" tenho que ceder à pressões psicológicas, abrir mão da liberdade, me anular... Mas não adianta chorar. Isso não vai mudar a realidade. O fato é que pouquíssimos homens estão preparados para lidar com mulheres empoderadas, que se conhecem, sabem o que querem e o que não querem, que não aceitam ser podadas e não mudam seu jeito de ser para agradar ninguém. 

O erro não está em nós sermos do jeito que somos, como a sociedade a todo tempo tenta nos convencer. O erro está em aceitar que homem é assim mesmo e que temos que nos sujeitar a tudo para ser uma boa esposa, namorada... Pois isso é o que esperam de nós, né? Podemos trabalhar, podemos estudar, mas se não nos casarmos um dia e não tivermos filhos... Ah não, aí não temos valor...

E nós, inconscientemente reproduzimos esse pensamento em nossas vidas. Eu mesma, achava que precisava de um namorado pra ser feliz. Sofri em relacionamentos abusivos até perceber que precisava me amar. Tive todo um processo de auto conhecimento, amor próprio e empoderamento. Decidi que só daria uma chance para alguém que me valorizasse. Mas percebi que mesmo aqueles que se dizem românticos na verdade só querem alguém que caiba naquele modelinho que citei antes. Foi aí que me dei conta de que se não quisermos viver esse tipo de relação, que é a regra, temos que aceitar a solidão e ter consciência de que as exceções existem, mas são exceções... 

Ficar só é uma forma de resistência. É não aceitar o machismo velado. Ao contrário do que diz o popular, não é por causa de uma linguiça que vou levar o porco inteiro (me desculpem os porcos).